Após o recesso de fim de ano, foi reaberta esta semana, no Oi Futuro do Flamengo, a exposição ANNA BELLA GEIGER: Vídeos 1974-2009. Considerada uma das mais importantes artistas brasileiras da atualidade e pioneira da videoarte, Anna Bella Geiger reúne pela primeira vez suas obras em vídeo nesta mostra, que ficará em cartaz até o dia 17 de janeiro de 2010. Com curadoria de Fernando Cocchiarale, a mostra reúne 14 vídeos históricos e quatro vídeo-instalações, duas delas inéditas.
Nesta retrospectiva, a obra em vídeo de Anna Bella Geiger levanta questões contemporâneas da visualidade, aproximando a arte do pensamento crítico. A mostra trata da contextualização do lugar do vídeo no cenário artístico, pensando as imagens e atualizando a leitura de suas representações e de seus códigos.
Para tanto, foram selecionados os vídeos “Passagens I e II” (1974), “Declaração em Retrato I e II” (1974), “Centerminal” (1974), “Mapas Elementares I, II e III” (1976), Local de Ação I (1978/80), “Tô no mato / Tô no mar” (2004/08) e a trilogia “Burocracia”, “Ideologia” e “Pedra – Objeto”, todas de 1980. Serão montadas também as vÍdeo-instalações “Friso, Mesa e Vídeo macios” (1981) e “Indeferenciados” (2001), além de “Circa III” e “Circa IV” criadas especialmente para esta exposição.
Bárbara London, curadora do Departamento de Videoarte do MoMA de Nova York, escreveu para a mostra individual da artista naquele museu, em 1978: “Mapas Elementares I, II e III de 1976, oriundos dos seus próprios desenhos, são transpostos nestes vídeos para a performance. O ritmo (da música “Meu Caro Amigo”, de Chico Buarque) molda o tempo dos rascunhos e das palavras da música provêm o significado. Brechtiano em seu approach, estes vídeos irônicos aludem também a questões mais amplas da política brasileira.”
A história da videoarte no Brasil teve início em 1974, quando artistas experimentais do Rio de Janeiro fizeram as primeiras obras do país com o novo meio técnico. A maior parte dos artistas era movida pelo interesse na investigação de novas mídias e de novos conceitos para a arte. Neste mesmo ano, Anna Bella, artista já então consagrada, passou a investigar e trabalhar as possibilidades do vídeo.
Segundo o curador – que foi aluno de Anna Bella e com quem trabalhou inúmeras vezes –, ambos integravam “um grupo de artistas com poéticas muito diferenciadas, mas que tinham por interesse comum, entre outros, a curiosidade de investigar as possibilidades de invenção com meios tecnológicos.”
Até o final de novembro de 2009, algumas obras de Anna Bella Geiger podem ser vistas em duas exposições na Bélgica (“Visceral”, em Bruxelas, e “GlobaLocal”, na Antuérpia). A mais recente exposição individual da artista no Brasil foi com suas obras de fotografia, com curadoria de Adolfo Montejo Navas, em novembro de 2008, no Paço Imperial, no Rio de Janeiro. Ao longo de 2009, a mostra passou por São Paulo, Salvador e Curitiba. Em 2006 apresentou a vídeo-instalação denominada “Circa” na Fundação Eva Klabin, remontada em 2007 na Paralela à Bienal de São Paulo.
Anna Bella Geiger
A artista tem realizado sua obra com gravura, pintura, desenho, fotomontagem e vídeo. Na década de 1950, foi morar em Nova York, estudando História da Arte no Metropolitan Museum e Sociologia da Arte, na Universidade de Nova York, com a historiadora alemã Hannah Levy Deinhard.
Tem participado de inúmeras mostras internacionais em museus e nas bienais de São Paulo, Veneza e de fotografia da Bélgica. Em 1982, recebeu o prêmio da Fundação Guggenheim (NY) e, em 2000, a Bolsa VITAE de pesquisa em Artes Plásticas. Obteve vários prêmios internacionais, como da Casa de las Américas (Havana), da Bienal de Desenho de Buenos Aires, da Bienal de Cuenca e, mais recentemente, o Prêmio da Crítica (ABCA) por sua trajetória artística.
Suas obras fazem parte de várias coleções particulares e de acervos de museus como MoMA (NY), FOGG Collection (Harvard), Getty Foundation (Los Angeles), Centre George Pompidou (Paris), Victoria & Albert Museum (Londres), MCABA (Barcelona), Museu Reina Sofia (Madri), o CGAC (Santiago de Compostela), Museu de Arte Contemporânea (Niterói) e MAM (Rio de Janeiro) e MASP (São Paulo) . Com Fernando Cocchiarale, escreveu e publicou o livro “Abstracionismo Geométrico e Informal – Vanguarda brasileira nos anos 50” (1987).
Sobre o Oi Futuro
Presente em várias cidades do país, o Oi Futuro tem a missão de democratizar o acesso ao conhecimento para acelerar e promover o desenvolvimento humano. Os programas do instituto têm como foco principal a promoção de um futuro melhor para as crianças e jovens do Brasil, reduzindo distâncias geográficas e sociais. São mais de 3 milhões de jovens atendidos pelos programas Tonomundo, Oi Kabum! Escolas de Arte e Tecnologia, NAVE, Oi Conecta e Novos Brasis. Na área cultural, O Oi Futuro atua como gestor do Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados, mantém dois espaços culturais no Rio de Janeiro (RJ) e em Belo Horizonte (MG), além do Museu das Telecomunicações nas duas cidades. O Oi Futuro apoia ainda projetos aprovados pela Lei de Incentivo ao Esporte. Com isso, a Oi foi a primeira companhia de telecomunicações a apostar nos projetos sócio-educativos inseridos na nova Lei.
“ANNA BELLA GEIGER: Vídeos 1974 / 2009”
Curador: Fernando Cocchiarale
Oi Futuro – 4º piso
Endereço: Rua Dois de Dezembro 63 – Flamengo – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3131-3060
Data: até o dia 17 de janeiro de 2010 – terça a domingo, das 11 às 20h
ENTRADA FRANCA
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